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30/10/2019 | Jurídico
Usina Nuclear nas margens do Rio São Francisco - Riscos
Por: Ney Vital

Os sertanejos e os riscos do projeto de instalar uma usina nuclear nas margens do Rio São Franscisco

Neste mês de novembro, os bispos católicos de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, Estados sob a responsabilidade da CNBB/NE2 (Conferência Nacional dos Bispos, Região Nordeste 2), comparecerão à cidade de Floresta (PE), Sertão de Itaparica, para participar do evento "O Rio São Francisco e suas energias: impactos e desafios", promovido pela Diocese de Floresta, em conjunto com a Comissão Regional Pastoral da CNBB.

O evento debaterá a possibilidade de instalação de uma usina nuclear no município de Itacuruba, nas margens do Rio São Francisco. Além de Itacuruba o projeto veem com potencial a cidade de Poço Redondo, Sergipe, município também banhado pelo Rio São Francisco.

O objetivo do encontro é que os bispos presentes conheçam os argumentos, contrários e favoráveis, à instalação da uma usina nuclear na região. A Diocese de Floresta adverte que, além dos especialistas, também serão ouvidas as comunidades da região que vivem da pesca e da agricultura e todos que podem ser impactados por um empreendimento desta magnitude.

O Ministério de Minas e Energia (MME) informou que o Plano Nacional de Energia 2030, em elaboração deve indicar a construção de novas usinas nucleares no Brasil, além de Angra 3. Os estudo aponta o Rio São Francisco como fonte de água existente para ser usadas para refrigeração do reator nuclear.

Segundo o censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Itacuruba possui uma população de 4 643 habitantes, sendo o segundo menor município em população do Estado, atrás apenas de Ingazeira. No município de Itacuruba estão inseridos três povos tradicionais, sendo eles a comunidade quilombola de Poço dos Cavalos, a comunidade quilombola Negos do Gilu, e o povo indígena Pankará, da Aldeia do Serrote dos Campos.

No site da Eletrobras (Eletronuclear) um texto sobre o empreendimento aponta o Nordeste como prioridade na construção das novas usinas.

"O Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) estabeleceu que o Brasil precisará expandir a oferta de energia nuclear em mais 4 mil megawatts (MW) até o final do período. Desse total, 2 mil MW estão previstos para o Nordeste e mais 2 mil MW, para o Sudeste. Com base nesse planejamento, a Eletrobras Eletronuclear deu início à seleção de locais candidatos para abrigar as futuras centrais nucleares nacionais", diz trecho do documento.

O físico e especialista em energias Heitor Scalambrini aponta que o maior risco de uma usina nuclear é o vazamento de material radioativo do interior para o exterior. Para ele, a proposta de instalação nas margens do Rio São Francisco é muito perigosa por todo potencial que o velho chico oferece ao Brasil.

"O rio serve a mais de 20 milhões de pessoas, 600 município e seis estados. Um desastre poderia acabar com o nordestino", disse. Scalambrini também citou que a tendência mundial é não utilizar a energia nuclear pelo risco e alto custo.

O professor destacou que países como a Alemanha e Itália já deram grandes passos para não utilizar essa fonte energética. "O Brasil não precisa das usinas nucleares para garantir a segurança energética da população. Para se ter uma ideia , hoje temos duas usinas nesse sentido no país e elas são responsáveis por menos de 1% do que geramos no país. É ínfimo e o custo não se sustenta", criticou Heitor Scalambrini.

A legislação estadual veda a instalação de usina do tipo. De acordo com o atigo 216 da constituição pernambucana "fica proibida a instalação de usinas nucleares no território do Estado de Pernambuco enquanto não se esgotar toda a capacidade de produzir energia hidrelétrica e oriunda de outras fontes", trecho retirado do documento de acesso público.

"Aqui não precisamos de usinas nucleares, temos outras fontes menos poluentes e que produzem menos riscos. Um ponto importante que a população saiba é que além dos riscos sociais e ambientais, investir na usina nuclear vai aumentar ainda mais a conta de energia do brasileiro. É caminhar na contramão", concluiu o pesquisador.

*Por Ney Vital-Jornalista. Petrolina Pernambuco



Onaldo Queiroga
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